Vidas Entrelaçadas

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quarta-feira, 19 de março de 2025

O Inimigo Íntimo: Por que sabotamos a própria felicidade?

 

Já aconteceu com você?

As coisas começam a dar certo, as oportunidades aparecem, o caminho se abre… mas, de repente, sem nem perceber, você faz algo que coloca tudo a perder. Pode ser uma decisão impulsiva, um atraso, uma palavra atravessada, uma procrastinação que não faz sentido. E então, lá está você, no mesmo lugar de antes, sentindo a frustração conhecida de quem quase chegou lá. 


Por que fazemos isso? O que nos leva a sabotar justamente aquilo que queremos tanto?

O medo do que é desconhecido

Por mais estranho que pareça, nem sempre a dor é o que mais assusta. O que nos apavora, muitas vezes, é a ideia de sair daquilo que já conhecemos. Se acostumar ao sofrimento é uma das coisas mais perigosas que podem acontecer com alguém. Porque, uma vez que ele se torna familiar, qualquer coisa diferente, até mesmo a felicidade, pode parecer ameaçadora.

Você já se viu voltando para relações tóxicas, aceitando menos do que merece, evitando tomar atitudes que poderiam transformar sua vida? Isso acontece porque existe uma parte sua que ainda não sabe quem seria sem aquele padrão de sofrimento. Se você sempre foi rejeitado, pode achar difícil acreditar que merece ser escolhido. Se sempre teve que lutar muito, pode não saber o que fazer quando tudo vem fácil. Se sempre ouviu que não era bom o suficiente, pode acabar provando isso para si mesmo. Não porque queira, mas porque não conhece outro caminho.

O prazer oculto da autossabotagem

E se eu te dissesse que, no fundo, há um certo prazer na autossabotagem? Não no sentido óbvio, mas naquele espaço inconsciente onde, de alguma forma, fracassar reafirma uma história que você já conhece.

Se você falhar de novo, não precisa enfrentar o medo de dar certo e depois perder tudo. Se for rejeitado mais uma vez, ao menos já sabe lidar com essa dor. Se não arriscar, evita a possibilidade de errar e de se decepcionar consigo mesmo.

É um jogo cruel que a mente faz. Nos protege do desconhecido, mas nos mantém presos ao que machuca.

Como romper esse ciclo?

O primeiro passo é se perguntar: E esse medo que está por trás da minha sabotagem? O que eu ganho, mesmo sem querer, quando repito esse padrão?

Se toda vez que algo bom acontece, você sente uma ansiedade inexplicável… olhe para isso.
Se sente necessidade de testar o amor dos outros, de adiar decisões, de fugir no último momento… olhe para isso.

A mudança começa quando você para de fugir de si mesmo.

Porque, no fim, o maior inimigo nunca esteve lá fora. Ele sempre morou dentro. Mas a boa notícia é que você não precisa mais viver sob o domínio desse medo, você pode entender que há outros caminhos e você pode escrever uma história diferente, uma nova página onde você consegue lidar com os seus medos e inseguranças.

Hecionara Nigri - Psicanalista Clínica

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