Já aconteceu com você?
As coisas começam a dar certo, as oportunidades aparecem, o caminho se abre… mas, de repente, sem nem perceber, você faz algo que coloca tudo a perder. Pode ser uma decisão impulsiva, um atraso, uma palavra atravessada, uma procrastinação que não faz sentido. E então, lá está você, no mesmo lugar de antes, sentindo a frustração conhecida de quem quase chegou lá.
Por que
fazemos isso? O que nos leva a sabotar justamente aquilo que queremos tanto?
O medo do
que é desconhecido
Por mais
estranho que pareça, nem sempre a dor é o que mais assusta. O que nos apavora,
muitas vezes, é a ideia de sair daquilo que já conhecemos. Se acostumar ao
sofrimento é uma das coisas mais perigosas que podem acontecer com alguém.
Porque, uma vez que ele se torna familiar, qualquer coisa diferente, até mesmo
a felicidade, pode parecer ameaçadora.
Você já se
viu voltando para relações tóxicas, aceitando menos do que merece, evitando
tomar atitudes que poderiam transformar sua vida? Isso acontece porque existe
uma parte sua que ainda não sabe quem seria sem aquele padrão de sofrimento. Se
você sempre foi rejeitado, pode achar difícil acreditar que merece ser
escolhido. Se sempre teve que lutar muito, pode não saber o que fazer quando
tudo vem fácil. Se sempre ouviu que não era bom o suficiente, pode acabar
provando isso para si mesmo. Não porque queira, mas porque não conhece outro
caminho.
O prazer
oculto da autossabotagem
E se eu te
dissesse que, no fundo, há um certo prazer na autossabotagem? Não no sentido
óbvio, mas naquele espaço inconsciente onde, de alguma forma, fracassar
reafirma uma história que você já conhece.
Se você
falhar de novo, não precisa enfrentar o medo de dar certo e depois perder tudo.
Se for rejeitado mais uma vez, ao menos já sabe lidar com essa dor. Se não
arriscar, evita a possibilidade de errar e de se decepcionar consigo mesmo.
É um jogo
cruel que a mente faz. Nos protege do desconhecido, mas nos mantém presos ao
que machuca.
Como
romper esse ciclo?
O primeiro
passo é se perguntar: E esse medo que está por trás da minha sabotagem?
O que eu ganho, mesmo sem querer, quando repito esse padrão?
A mudança
começa quando você para de fugir de si mesmo.
Porque, no
fim, o maior inimigo nunca esteve lá fora. Ele sempre morou dentro. Mas a boa
notícia é que você não precisa mais viver sob o domínio desse medo, você pode
entender que há outros caminhos e você pode escrever uma história diferente,
uma nova página onde você consegue lidar com os seus medos e inseguranças.
Hecionara Nigri - Psicanalista Clínica

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